O dilema de Donald Trump no Irã
Fernando Martini e Helena Magnabosco Camillo -
Bombardear não basta quando o adversário conserva a disposição moral de lutar; e o Estreito de Ormuz, mais do que os mísseis, é o verdadeiro nó estratégico que pode empurrar os EUA para um novo Vietnã
“A simples destruição de alvos nunca compensa a ausência de estratégia. Você pode lançar 15.000 bombas sobre o Irã, mas isso não produzirá resultado algum se não estiver acompanhado por uma estratégia coerente” (General James Mattis, ex-Secretário de Defesa dos Estados Unidos).
1.
O presente ensaio reflete sobre o dilema estratégico dos Estados Unidos na guerra contra o Irã a partir da constatação de que o recurso à força militar, embora taticamente eficaz na destruição de alvos, não assegura por si só a obtenção de resultados duradouros e não converte superioridade militar em ganhos geopolíticos. O argumento central sustenta que a entrada americana no conflito decorreu de uma combinação entre erro de avaliação estratégica, confiança excessiva no poder aéreo e pressão política vinculada tanto à aliança com Israel quanto à dinâmica interna de Washington.
A reflexão desenvolvida mobiliza autores como Robert Pape e John Mearsheimer para sustentar que a superioridade aérea e a destruição seletiva de alvos encontram limites severos quando não são acompanhadas de objetivos políticos claros e de capacidade de transformação efetiva da realidade estratégica.
Nessa linha, o texto argumenta que a campanha americana reproduz uma lógica recorrente de sedução pelo uso da força, marcada pela expectativa de obtenção de ganhos rápidos por meio de bombardeios, ações cirúrgicas e pressão militar escalonada. Uma vez frustrada a promessa de vitória rápida, a guerra tende a adquirir dinâmica própria, alimentando a chamada armadilha da escalada, além de se tornar cada vez mais custosa dificultar a possibilidade de encerramento das hostilidades.
O ensaio sugere que os Estados Unidos se encontram diante de uma encruzilhada estratégica. De um lado, a retirada sem solução para problemas como a segurança da navegação no Estreito de Ormuz implicaria custos de prestígio e de credibilidade internacional. De outro, a abertura de uma campanha terrestre aprofundaria a intervenção e lançaria Washington em uma guerra prolongada, um atoleiro estratégico de elevado custo humano, material e político.
O texto conclui que a guerra já produz pressões que ultrapassam a decisão inicial de iniciá-la e que, sem definição precisa dos objetivos estratégicos a serem alcançados, a escalada militar tende a ampliar a distância entre os objetivos inicialmente pretendidos e um possível fracasso estratégico.
2.
Para compreender a guerra que os Estados Unidos e Israel empreendem contra o Irã, a primeira questão consiste em entender por que esses dois Estados decidiram atacá-lo. A resposta comporta diferentes interpretações e, por envolver diversos atores, interesses e níveis de análise, não pode ser reduzida a uma simples causa sem que se incorra em grave reducionismo.
Esse ponto inicial é importante porque permite reconhecer que Estados Unidos e Israel não entraram nessa guerra exatamente pelos mesmos motivos, e mesmo que se reconheçam convergências estratégicas entre ambos, existem objetivos distintos, vinculados às suas posições, percepções de ameaça e cálculos políticos próprios.
Pensar nas causas da guerra nos permite refletir para até onde ela pode ir e imaginar até onde os atores envolvidos podem estar dispostos a chegar, e quanta dor estão dispostos a aguentar. Um ponto central da teoria de Carl von Clausewitz – para quem a guerra é um confronto de sociedades; e que, em última análise, a lei moral é a que define a guerra, posto que é a manutenção da disposição de lutar que é determinante para a vitória – consiste na ideia de que a intensidade e o esforço empregados na guerra devem guardar proporção com o valor do objetivo político perseguido, condicionando, em última instância, a própria decisão de ir ou não à guerra.
Provavelmente Donald Trump jamais tenha estudado Carl von Clausewitz e, a julgar pelas poucas luzes de seu Secretário de Guerra, não parece haver grande apreço pelos estudos estratégicos no núcleo mais próximo ao dirigente americano. Independentemente disso, a posição de Donald Trump faz com que suas decisões produzam consequências graves sobre a política internacional. Dada sua inclinação para decisões fortemente personalistas e a oscilação de declarações, o risco é de que o emprego da força passe a obedecer menos a uma estratégia coerente do que à tentativa de preservar sua autoridade política e aparência de controle.
Mohammed Ayoob (2026) sustenta que a decisão de Donald Trump decorreu de uma grave incompreensão dos interesses americanos no Oriente Médio, porque o presidente acreditava que o uso da força militar traria uma solução rápida, de sorte que o ataque foi empreendido primordialmente por um erro de avaliação. Como Robert Pape (2004) salienta, especialmente o poder aéreo exerce uma lógica sedutora, porque promete guerras rápidas, com baixo custo humano para quem ataca e com grande capacidade de infligir danos ao adversário. Porém, o limite do poder aéreo emerge quando a superioridade da mesma destrói alvos, mas não consegue transformar esses efeitos em ganhos políticos, momento em que o êxito tático pode coexistir com fracasso estratégico, como explica Pape.
Nesse mesmo sentido, Stanley McChrystal (2026) – general da reserva dos Estados Unidos, ex-comandante das forças americanas no Afeganistão, que também serviu no Iraque – conserva uma perspectiva crítica acerca das seduções do uso do poder militar como promessa de solução relativamente fácil para problemas estratégicos complexos. McChrystal (2026) destaca três grandes seduções do uso da força, a saber, a ação encoberta – realizada por ações de inteligências, espionagem ou operações psicológicas – , a operação de forças especiais e o poder aéreo – incluindo o emprego de munições guiadas de precisão lançados de outros modais –, porque todas elas oferecem a expectativa de atingir objetivos militares relevantes sem o dispêndio de grandes contingentes de tropas.
O problema, para McChrystal (2026), consiste no fato de que tais expedientes podem até produzir danos importantes ao inimigo, mas não se mostram eficazes quando este conserva disposição moral para prosseguir lutando. Nessas circunstâncias, a decapitação, a intimidação e a destruição seletiva de alvos encontram limites severos, sobretudo porque não bastam para consolidar objetivos políticos mais amplos.
Como exemplo, McChrystal (2026) destaca que no Iraque, foi possível bombardear e até derrubar o governo com relativa facilidade, sem que isso tivesse significado a transformação direta da realidade do controle do território. De modo semelhante, afirma que, no Afeganistão, o bombardeio não produziu a submissão do inimigo, mas contribuiu para ampliar a oposição aos americanos, e, como se sabe, causou o envolvimento de milhares de tropas por quase vinte anos, resultando em um fracasso estratégico depois de todo esforço.
3.
De modo semelhante, Mearsheimer (2001) enfatiza o primado do poder terrestre e das capacidades militares convencionais para se conquistar o controle do território e da população – isto é o controle social do inimigo –, condição central para alterar de modo duradouro uma determinada realidade e se atingir objetivos políticos e estratégicos, algo que não se obtém por meio de ações seletivas e ataques de precisão. Mearsheimer (2001), inclusive, dedicou parte importante de seu livro mais famoso, The Tragedy of Great Powers Politcs, para evidenciar os limites do poder aéreo e do bombardeio estratégico.
Essa perspectiva torna mais evidente que a condução da estratégia militar americana é gravemente problemática, porque reincide em expedientes que prometem rapidez, baixo custo e precisão, mas que, na prática, tendem a produzir custos cumulativos, agravar problemas já existentes e favorecer um envolvimento militar progressivo. O general Wesley Clark (2026), ao seu turno, adverte que, quanto mais tempo um conflito dura, mais difícil se torna sair dele, fazendo com que a escalada militar adquira dinâmica própria.
De modo semelhante, Robert Pape (1996, 2004, 2026) traz acerca dos limites do poder aéreo isolado, que raramente produz colapso político no inimigo, que estratégias de decapitação não se mostraram eficazes e mesmo as munições guiadas de precisão não suprimiram esse limite. Isso leva ao que Pape (2026) chama de “armadilha da escalada”, que ocorre quando a fratura esperada do adversário não ocorre, de modo que a decisão natural é de ampliar a lista de alvos, elevar o ritmo dos ataques e o volume do gasto de munições, o que torna as opções mais custosas recorrentes e gera o prolongamento da guerra, num ciclo retroalimentado pela intenção de atingir os objetivos pensados na aposta inicial, que propunha resultado estratégicos rápidos a partir de ações cirúrgicas.
A noção de buscar um resultado estratégico de forma rápida também pode ter sido fortalecida pelos sucessos militares mais recentes dos EUA, como a percepção de que operações militares rápidas e circunscritas poderiam produzir ganhos estratégicos relevantes. Como destaca Fontaine (2026), parece ter sido reforçada, no entorno decisório de Donald Trump, tanto pelo bombardeio ao programa nuclear iraniano em 2025, quanto pela captura de Nicolás Maduro, de modo que esses antecedentes favoreceram maior disposição ao recurso renovado à força.
A estratégia americana sob Donald Trump parece retomar, sob novas condições, traços centrais da política externa estadunidense do período Bush, especialmente em um quadro de exercício unilateral do poder, de relativo afastamento das instâncias multilaterais e de uso recorrente da presença militar no Oriente Médio como instrumento de contenção regional.
Conforme Trizotto (2018, p. 22-24), esses elementos podem ser compreendidos a partir da Doutrina Wolfowitz, voltada à projeção de força para impedir o surgimento de novos pólos de poder no Sistema Internacional, sob a justificativa da promoção da democracia e do liberalismo. Sob Donald Trump, esse unilateralismo reaparece de forma ressignificada, adquirindo nova inflexão por meio de uma postura de coação sobre aliados e de um reposicionamento estratégico baseado de modo mais direto na projeção de força militar. Essa orientação se expressa em ataques preventivos, na destruição seletiva de alvos e no emprego do bombardeio estratégico como forma de testar os limites do poder aéreo na obtenção de ganhos geopolíticos.
4.
Parece razoável supor que Donald Trump não imaginava que, após um mês de guerra, marcado por constantes bombardeios e pela destruição sistemática de alvos iranianos, se encontraria diante da situação em que agora se encontra, isto é, em grave encruzilhada entre admitir o fracasso estratégico de seu intento – recorrendo à invenção de alguma narrativa fantasiosa que possa ser apresentada como vitória – ou insistir em uma campanha militar que se encaminha para um atoleiro, com o perigoso potencial de se converter em guerra prolongada e de desencadear uma crise na economia mundial sem precedentes neste século.
Do ponto de vista estritamente militar, o Irã não dispõe de meios para derrotar os Estados Unidos em confronto direto. Não há nenhuma surpresa em constatar que a assimetria de capacidades militares é elevada, e isso ajuda a explicar por que os americanos têm obtido resultados militares consistentes e conseguido golpear alvos iranianos com relativa facilidade, demonstrando notável capacidade na destruição de múltiplos alvos (Amoah; Bazilian; Matisek, 2026). De modo semelhante, o prolongamento da ofensiva aérea poderá, inclusive, degradar de forma ainda mais severa as capacidades militares iranianas e energéticas, a ponto de, em algum momento, surgir a avaliação de que os objetivos militares compensadores já teriam sido atingidos.
Entretanto, o que parece estar no centro do dilema estratégico americano é a navegação pelo Estreito de Ormuz, que interconecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e constitui um ponto de estrangulamento essencial para as rotas comerciais que atravessam a região. A posição geográfica do Irã em relação ao estreito lhe confere capacidade direta de ameaçar a navegação, seja por meio de mísseis, drones, minas ou ataques a embarcações em trânsito. Ainda que se possa questionar a real capacidade de Teerã de impor um bloqueio absoluto e duradouro, a mera possibilidade de que ocorram ataques e uma embarcação seja atingida já basta para elevar drasticamente o risco da navegação e produzir efeitos econômicos imediatos.
Sem um acordo entre Teerã e Washington sobre Ormuz, dificilmente restará uma alternativa aos Estados Unidos que não desobstruir o Estreito com o uso de força militar, e isso não será nem fácil, nem rápido (Betts; Bidlle, 2026). Ademais, o prolongamento da guerra corrói essa margem de escolha (Clark, 2026), dado que enquanto o estreito permanece sob ameaça, a economia mundial continua pressionada.
Além disso, quando o poder aéreo já não converte destruição em solução, e existe uma clara necessidade estratégica inegociável, a lógica da guerra tende a demandar ainda mais ações militares. E é nesse ponto que a guerra já não é travada apenas porque Washington decidiu iniciá-la, mas porque passa a própria guerra produzir problemas estratégicos novos que exigem novas respostas.
5.
As consequências de um fracasso estratégico americano implicarão numa indubitável perda de prestígios dos Estados Unidos no Sistema Internacional, o que pode fazer com que os americanos adotem uma postura ainda mais coercitiva sobre seus aliados e ainda mais agressiva nas Américas, tornando ações militares como a invasão à Cuba ou intervenções militares na América do Sul hipótese críveis, o que seria demasiadamente prejudicial para a estabilidade sul-americana. Acrescente-se que a retirada estratégica do Oriente Médio implicaria na continuação da instabilidade na economia, especialmente no aumento do preço do barril do petróleo, que poderia até mesmo permitir uma rápida recuperação da economia iraniana e fortalecimento da Rússia.
Os Estados Unidos se encontram em um momento decisivo da guerra, marcado pela necessidade de decidir sobre o eventual emprego de tropas no terreno, ou “boots on the ground”. Outrossim, com base em análises como as de Robert Pape e John Mearsheimer, sustenta-se que os Estados Unidos chegaram a um ponto em que não obtiveram ganhos decisivos e que a insistência no prolongamento do conflito pode produzir consequências negativas de tal magnitude que afetariam a sua posição como potência hegemônica.
Dessa forma, é razoável afirmar que sem a consolidação dos objetivos por tropas terrestres, quaisquer eventuais ganhos militares dificilmente seriam transformados em ganhos estratégicos ou em efeitos políticos duradouros, e mesmo com uma campanha terrestre exitosa, é muito difícil sustentar que esses objetivos compensariam possíveis perdas de soldados e os outros custos.
Outro aspecto a ser considerado diz respeito à forma como as populações dos Estados Unidos e do Irã percebem essa guerra. Por exemplo, ao tomar por base a noção da trindade clausewitziana, segundo a qual a guerra envolve a sinergia entre Estado, população e forças armadas (Clausewitz, 1976), a compreensão da disposição de uma sociedade em suportar os custos humanos e os efeitos econômicos de um conflito é decisiva para avaliar os objetivos políticos e estratégicos.
Dessa maneira, pondo em contraste a sociedade norte-americana e a iraniana, é muito claro que existem limiares bastante distintos de tolerância aos custos da guerra, sobretudo diante da possibilidade de um conflito incerto e prolongado. Tal diferença repercute diretamente tanto na disposição moral dos soldados para continuar combatendo quanto na própria estabilidade do governo para sustentar a persecução de seus objetivos militares, especialmente em uma guerra que não conta com o amplo apoio da população americana (Lange, 2026).
A guerra, nessa perspectiva, não deve ser reduzida ao confronto material entre forças armadas, – embora as capacidades materiais, o nível tecnológico dos armamentos, os sistemas de armas e as plataformas militares tenham importância evidente – a dimensão humana permanece fundamental para a percepção da relevância estratégica do conflito. Assim, fica claro que, na sociedade e conjuntura atual norte-americana, a perda de vidas humanas em um conflito incerto como esse traria imensas consequências para a sociedade do país e para a sustentabilidade do governo de Donald Trump (Lange, 2026), comprometendo, em larga medida, a capacidade de se suportar os custos de uma guerra prolongada sem comprometer sua coesão interna.
Por essa razão, a opinião pública assume peso decisivo na condução do conflito, principalmente após a Guerra do Vietnã (1959-1975), pois interfere tanto na legitimidade política da guerra quanto nas condições efetivas de sua continuidade.
Ademais, a própria disposição dos soldados norte-americanos em combater e em aceitar o risco de morte inerente ao conflito constitui um fator que não pode ser negligenciado, sobretudo quando a guerra não apresenta objetivos estratégicos suficientemente claros. Sob esse aspecto, o conflito atual guarda comparações relevantes com as campanhas do Afeganistão, do Iraque e do Vietnã, nas quais muitos veteranos – que inclusive ocupam postos de liderança atualmente – passaram a criticar a atuação militar e a sustentar a percepção de que seu sacrifício individual ocorreu em pró de uma guerra vazia.
Essa percepção traz a ideia de que tais conflitos não produziram ganhos estratégicos para os Estados Unidos, tampouco contribuíram para uma melhora efetiva da situação do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que implicaram custos humanos de grande magnitude, com muitas mortes, danos duradouros à integridade física dos combatentes e graves comprometimentos psicológicos decorrentes da experiência combatente.
6.
Uma campanha terrestre escalará o conflito para um patamar muito perigoso, e provavelmente faria com que a guerra se estendesse por um período que pode ser insuportável para a economia mundial. A própria geografia montanhosa e acidentada do Irã favorece fortemente a defesa e cria condições particularmente propícias para formas de guerra irregular e assimétrica, circunstância que tende a beneficiar o ator defensor já estabelecido no terreno, demandando uma campanha demorada e com grande emprego de tropas, vide a Guerra do Vietnã.
Barbara Tuchman (1984) nominou essa (i)lógica da escalada e da voragem da guerra como “Marcha da Insensatez”, descrevendo a dinâmica de prolongamento dos conflitos. A voragem da guerra, já explicada por Clausewitz (1976), também é sustentada por Mearsheimer (2025), que enfatiza que a lógica militar não se confunde com a lógica da política internacional, pois uma vez iniciado o conflito, os objetivos estratégicos passam a ser perseguidos com relativa autonomia, no interior de estruturas militares fundadas na hierarquia e na disciplina.
Nesse sentido, a decisão de escalada na guerra, especialmente a decisão de empregar ou não tropas terrestres parece ainda permanecer em aberto, mas ela só poderia ser considerada estrategicamente oportuna se os Estados Unidos tivessem clareza quanto aos objetivos estratégicos e eles constituíssem uma necessidade incontornável. Até onde é dado saber ao público geral, tais objetivos não são claros e nem se trata de uma guerra para garantir uma necessidade vital ao interesse estratégico americano.
Assim, sem uma definição precisa do que se pretende alcançar, torna-se impossível avaliar se o emprego de forças no terreno é admissível, proporcional e politicamente compensador. O fato de que essas decisões estejam sendo tratadas de forma altamente centralizada, sem debate adequado e sem um fluxo minimamente transparente de informações, é particularmente preocupante, ainda mais considerado o histórico recente do governo de Donald Trump.
Isso é ainda mais relevante para aqueles que se envolvem diretamente nos combates, já que a clareza sobre os objetivos da guerra e sobre as razões do sacrifício exigido constituem elemento fundamental de sustentação moral da guerra, especialmente quando ela implica o sacrifício de vidas.
Sair da guerra neste momento certamente não será fácil para os Estados Unidos, que se veem entre a escalada militar e a retirada estratégica. Mesmo que os custos não sejam desprezíveis, o que importa é que essa possibilidade ainda existe, embora se torne mais difícil à medida que o Irã impõe mais custos e a voragem da guerra se torna mais forte. Por certo, a retirada americana da conflagração sem a abertura do Estreito de Ormuz implicará grave perda de prestígio por parte dos Estados Unidos, com consequências que não devem ser menosprezadas a sua condição de potência hegemônica.
Por outro lado, a abertura de uma campanha terrestre colocaria Washington sob a lógica própria da escalada e lhe comprometeria de forma definitiva em uma guerra prolongada, empurrando-o para um atoleiro estratégico de custos humanos, materiais e políticos potencialmente elevados.
Uma vez iniciado esse movimento, a guerra tenderá a produzir novas exigências militares, novas pressões por aprofundamento da intervenção e novas dificuldades de recuo. Em tal hipótese, esses custos só poderiam ser considerados aceitáveis diante de objetivos compensatórios e claramente definidos, o que, até o momento, não parece ser o caso.
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Referências
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[Artigo tirado do sitio web aterraéredonda, do 13 de abril de 2026]

